A menopausa é um período de transformações profundas na vida da mulher. Muito se fala sobre as ondas de calor, as alterações de humor e as mudanças no sono, mas existe um sintoma que muitas vezes é negligenciado, embora cause um impacto enorme na qualidade de vida: as alterações gastrointestinais.

Se você já convive com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), pode ter percebido que os sintomas se intensificaram com a chegada do climatério. Se nunca teve problemas, pode estar estranhando o surgimento de inchaço e desconforto agora. 

O papel do estrogênio e da progesterona no intestino

O que pouca gente sabe é que o nosso trato gastrointestinal é repleto de receptores para o estrogênio e a progesterona. Isso significa que o intestino “sente” e responde diretamente às funções hormonais.

Durante a menopausa, a queda drástica desses hormônios afeta o funcionamento do corpo de duas maneiras principais:

  1. Alteração na motilidade intestinal

O estrogênio e a progesterona ajudam a regular a velocidade com que os alimentos passam pelo sistema digestivo. Com a queda desses níveis, o trânsito intestinal pode se tornar mais lento, favorecendo a constipação (prisão de ventre), ou mais errático, contribuindo para episódios de diarreia e maior produção de gases. 

  1. Hipersensibilidade visceral

A redução do estrogênio parece estar ligada a um aumento da sensibilidade à dor. Para uma mulher com SII, isso significa que uma pequena quantidade de gases, que antes passaria despercebida, agora pode causar uma dor abdominal intensa e um desconforto desproporcional. O limiar de dor no intestino diminui, tornando os sintomas da síndrome muito mais evidentes.

O eixo cérebro-intestino da transição

A menopausa não é apenas uma mudança física, mas também um período de estresse emocional e alterações no padrão de sono. Sabemos que a SII está intimamente ligada ao eixo cérebro-intestino.

O aumento do cortisol (o hormônio do estresse) e a privação de sono comuns nessa fase podem desequilibrar a microbiota intestinal e agravar a inflamação de baixo grau, retroalimentando os sintomas de estufamento e dor abdominal. É um ciclo que precisa ser interrompido com uma abordagem cuidadosa.

Como manejar a SII durante a menopausa?

A boa notícia é que você não precisa aceitar o desconforto como “parte da idade”. Existem estratégias eficazes para retomar o equilíbrio: 

  • Ajuste na dieta: a adoção de uma dieta com baixo teor de fermentáveis (FODMAPs) sob orientação pode reduzir drasticamente o inchaço.
  • Hidratação e fibras: essenciais para compensar a lentidão do trânsito intestinal, mas devem ser introduzidas de forma gradual para não piorar os gases.
  • Gerenciamento do estresse: práticas como atividades físicas regulares e higiene do sono ajudam a acalmar o eixo cérebro-intestino.
  • Avaliação da terapia de reposição hormonal (TRH): em alguns casos, a reposição orientada pelo ginecologista pode auxiliar na melhora dos sintomas sistêmicos, refletindo positivamente no intestino.

Se você está passando pela menopausa e sente que o seu intestino se tornou um “inimigo”, saiba que existe solução. O primeiro passo é descartar outras condições que podem surgir nessa idade e traçar um plano de cuidado que respeite as particularidades do seu corpo neste momento.

Sentir-se bem é um direito seu em todas as fases da vida.