Receber a indicação de uma estomia intestinal, seja ela temporária ou definitiva, costuma gerar um turbilhão de dúvidas e, compreensivelmente, uma dose de ansiedade. No entanto, é importante entender que esse procedimento é, muitas vezes, o passo necessário para a cura ou para a retomada da qualidade de vida.
Para começar, precisamos definir o que são essas aberturas. A ileostomia é a exteriorização de uma parte do intestino delgado (o íleo) através da parede abdominal. Já a colostomia é a exteriorização de uma parte do intestino grosso (cólon). Em ambos os casos, o objetivo é criar um novo caminho para a saída de fezes e gases, que passam a ser coletados por uma bolsa acoplada à pele.
Embora o conceito pareça semelhante, as diferenças entre elas impactam diretamente o dia a dia e os cuidados do paciente.
O que caracteriza a ileostomia?
Geralmente localizada no lado inferior direito do abdômen, a ileostomia é realizada quando o intestino grosso precisa ser “pulado” ou “ficar isolado das fezes”.
Consistência das fezes: como o conteúdo não passa pelo cólon (onde a água é absorvida), as fezes na ileostomia são líquidas ou pastosas
Enzimas digestivas: esse efluente é rico em enzimas que podem irritar a pele, por isso o cuidado com a vedação da bolsa deve ser rigoroso
Indicações: é muito utilizada em cirurgias de “proteção” (para permitir que uma costuma intestinal cicatrize com segurança), em casos graves de Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa ou polipose familiar
O que caracteriza a colostomia?
A colostomia pode ser feita em diferentes partes do intestino grosso, mas é mais frequentemente posicionada no lado esquerdo do abdômen.
Consistência das fezes: Como o efluente já passou por parte do cólon, as fezes tendem a ser mais consistentes, sólidas ou formadas, assemelhando-se ao hábito intestinal normal.
Frequência: A eliminação costuma ser mais previsível e menos frequente do que na ileostomia.
Indicações: Comumente indicada em casos de câncer colorretal, diverticulite complicada ou traumas abdominais graves.
Principais diferenças no cuidado diário
A distinção entre os dois tipos de estoma dita as prioridades de saúde do paciente:
Hidratação e Nutrição: Pacientes com ileostomia perdem mais água e sais minerais. Por isso, a ingestão de líquidos deve ser redobrada para evitar a desidratação. Na colostomia, o risco de desidratação é bem menor.
Proteção da Pele: Devido à natureza líquida e ácida das fezes da ileostomia, o uso de barreiras protetoras (pós e pastas) é essencial para evitar dermatites ao redor do estoma.
Drenagem da Bolsa: A bolsa da ileostomia costuma ser esvaziada com mais frequência ao longo do dia, enquanto a da colostomia segue um ritmo mais próximo ao funcionamento intestinal prévio.
Independentemente do tipo, é fundamental reforçar que a estomia não impede ninguém de ter uma vida plena. Com os acessórios modernos, que são discretos, seguros e neutralizam odores, é perfeitamente possível trabalhar, praticar atividades físicas, viajar e manter uma vida social ativa.
