Muitas pessoas descobrem que têm diverticulite no intestino durante exames de rotina, como a colonoscopia, e a primeira dúvida que surge é: o que eu posso ou não comer a partir de agora?

Primeiro, é preciso esclarecer a confusão que existe entre ter diverticulose) e estar com uma inflamação neles, a diverticulite, e como o papel da alimentação muda drasticamente dependendo do estágio em que você se encontra.

Diverticulose vs. Diverticulite: qual a diferença?

Antes de falarmos sobre a alimentação, é fundamental entender os termos:

  • Diverticulose: é apenas a presença de pequenas bolsas (divertículos) na parede do intestino. Não é uma doença em si e a maioria das pessoas não apresenta sintomas. 
  • Diverticulite: é quando um desses divertículos inflama ou infecciona, causando dor intensa (geralmente no lado esquerdo do abdômen), febre e alterações intestinais. 

O papel da dieta na prevenção (diverticulose)

Para quem tem diverticulose mas não está em crise, o objetivo principal é evitar que eles inflamem. A regra de ouro aqui é combater a constipação!

  1. As fibras serão suas melhores amigas

Uma dieta rica em fibras (frutas com casca, legumes, verduras e grãos integrais) ajuda a formar um bolo fecal mais macio e volumoso, o que diminui a pressão dentro do intestino e evita a formação de novos divertículos.

2. Hidratação é fundamental

De nada adianta comer fibras se você não beber água!  Sem hidratação, as fibras podem acabar “prendendo” ainda mais o intestino, aumentando o risco de pressão nos divertículos.

3. O “mito” das sementes e castanhas

Antigamente, era comum escutar que quem tinha divertículos não podia comer pipoca, sementes de tomate, pepino ou castanhas, por medo que esses alimentos causassem inflamação no divertículo.

Mas estudos recentes mostram que não há necessidade dessa restrição! Na verdade, castanhas e sementes são ótimas fontes de fibras e nutrientes. Você pode comê-las sem medo. 

O que comer durante a crise de diverticulite aguda?

Aqui o cenário muda completamente: se o divertículo está inflamado, o intestino precisa de descanso. 

Fase 1: Dieta líquida (repouso intestinal)

Nos primeiros dias de uma crise de diverticulite, geralmente é recomendada uma dieta líquida restrita (água, caldos coados, chás e gelatinas). Isso reduz o volume de resíduos que passa pelo local inflamado, facilitando a recuperação.

Fase 2: Dieta de transição (baixo resíduo)

Conforme a dor melhora, evoluímos para uma dieta pastosa e pobre em fibras:

  • Arroz branco
  • Purês (batata, mandioquinha)
  • Frutas cozidas e sem casca 
  • Proteínas leves (frango ou peixe desfiado)

Nesta fase, as fibras são temporariamente evitadas para não estimular demais o intestino enquanto ele ainda está sensível.

O retorno à normalidade 

Após a resolução completa da crise (o que deve ser confirmado pelo seu médico), as fibras devem ser reintroduzidas de forma gradual. Adicionar fibras demais de uma vez só pode causar gases e desconforto abdominal.

A chave para o sucesso no tratamento dos divertículos não é a restrição severa, mas sim o equilíbrio e a consistência nos bons hábitos alimentares.