O desejo de ter filhos é um marco importante na vida de muitas pessoas, mas, para quem convive com uma Doença Inflamatória Intestinal (DII), como a Doença de Crohn ou a Retocolite Ulcerativa, esse sonho costuma vir acompanhado de muitas dúvidas e receios. Como consequência, a pergunta que mais ouço no consultório é: “Dra., minha doença vai impedir de ser mãe?”.
A resposta curta e encorajadora é: na grande maioria dos casos, não. No entanto, existem alguns pontos fundamentais sobre como a inflamação e os tratamentos podem influenciar essa jornada, e entender isso é o primeiro passo para uma gestação segura.
A fertilidade feminina e o papel da remissão
Para as mulheres, a boa notícia é que, quando a doença está em fase de remissão, ou seja, controlada e sem sintomas ativos, a capacidade de engravidar é praticamente a mesma de uma mulher que não tem DII. O grande desafio surge quando a doença está ativa. A inflamação sistêmica e intestinal pode desregular o ciclo hormonal e afetar a receptividade do útero, tornando a concepção mais difícil naquele momento.
Além disso, algumas cirurgias pélvicas prévias, especialmente em casos de Retocolite que exigiram a remoção do cólon e a criação de uma bolsa ileal, podem gerar aderências (cicatrizes internas) que dificultam o encontro do óvulo com o espermatozoide. Por isso, conversar com o seu coloproctologista sobre seus planos de maternidade antes de qualquer procedimento é essencial para avaliarmos as melhores técnicas.
E quanto aos homens?
Para os futuros pais, o cenário também é positivo. A Doença de Crohn ou a Retocolite, por si só, raramente afetam a fertilidade masculina de forma permanente. O ponto de atenção aqui são algumas medicações específicas, como a sulfassalazina, que pode reduzir temporariamente a contagem e a mobilidade dos espermatozoides. A boa notícia é que esse efeito é totalmente reversível após a troca da medicação, o que reforça a importância de um planejamento conjunto com a equipe médica meses antes de tentar a concepção.
O “pulo do gato”: planejamento é a palavra de ordem
O segredo para uma história de sucesso na fertilidade e na gravidez com DII resume-se a uma estratégia: engravidar na remissão. Estudos mostram que, quando a gestação começa com a doença controlada, as chances de complicações são mínimas e muito próximas às de uma gestação comum.
Muitos pacientes cometem o erro de suspender a medicação por conta própria ao decidirem engravidar, o que pode causar uma crise grave e colocar em risco tanto a fertilidade quanto a saúde do bebê. Hoje, a maioria dos tratamentos modernos (incluindo os biológicos) é segura e fundamental para manter a mãe saudável durante todo o processo.
