A menopausa é frequentemente associada aos fogachos (ondas repentinas de calor),  alterações de humor e suores noturnos, mas existe um impacto silencioso que muitas mulheres sentem na pele, mas raramente discutem no consultório: as mudanças drásticas no funcionamento intestinal. 

Não é coincidência que, com a chegada do climatério, o intestino pareça ficar mais lento ou mais sensível. A ciência mostra que a queda dos hormônios sexuais femininos têm uma relação direta com a saúde do sistema digestivo. 

O eixo hormonal-intestinal: o papel do estrogênio 

O estrogênio e a progesterona não atuam apenas no sistema reprodutor; eles possuem receptores espalhados por todo o trato gastrointestinal. Quando os níveis de estrogênio caem, o tempo de trânsito das fezes no cólon tende a aumentar. Na prática, isso se traduz em constipação (intestino preso).

Além disso, o estrogênio ajuda a manter os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) sob controle. Com a queda hormonal, o aumento do cortisol pode afetar a velocidade da digestão, levando a episódios de gases, estufamento e desconforto abdominal persistente.

O “estroboloma” e a microbiota 

Um dos conceitos mais fascinantes da medicina atual é o estroboloma, um conjunto de bactérias intestinais especificamente responsáveis por metabolizar e modular a circulação de estrogênio no corpo.

Estudos recentes indicam que a menopausa altera a diversidade da nossa microbiota. A redução da variedade de bactérias benéficas pode levar a:

  • Aumento da permeabilidade intestinal: Facilitando inflamações sistêmicas.
  • Piora da sensibilidade visceral: Tornando o abdômen mais propenso a dores e distensões.
  • Mudanças no peso: Já que a microbiota influenciada pela menopausa pode afetar a forma como absorvemos energia dos alimentos.

Sintomas gastrointestinais comuns no climatério 

Muitas mulheres que nunca tiveram problemas digestivos começam a relatar sintomas que lembram a Síndrome do Intestino Irritável:

  1. Inchaço abdominal (Bloating): Frequentemente relacionado à retenção de líquidos e alterações na fermentação bacteriana.
  2. Gases excessivos: Pela mudança no perfil das bactérias intestinais.
  3. Dificuldade de evacuação: Pela lentidão muscular do intestino causada pela falta de progesterona.

Como amenizar os impactos? 

Embora as mudanças hormonais sejam inevitáveis, o impacto no seu bem-estar não precisa ser. Algumas estratégias são fundamentais nesta fase:

  • Hidratação Redobrada: Essencial para combater a lentidão intestinal causada pela queda hormonal.
  • Fibras e Alimentos Prebióticos: Para sustentar a diversidade da microbiota em um período de vulnerabilidade.
  • Acompanhamento Especializado: Em alguns casos, a terapia de reposição hormonal ou o uso de probióticos específicos podem ser grandes aliados, sempre sob supervisão médica.